sábado, 10 de junho de 2017

A Múmia (2017) - Crítica


Sinopse: Na Mesopotâmia, séculos atrás, Ahmanet (Sofia Boutella) tem seus planos interrompidos justamente quando está prestes a invocar Set, o deus da morte, de forma que juntos possam governar o mundo.  Mumificada, ela é aprisionada dentro de uma tumba. Nos dias atuais, o local é descoberto por acidente por Nick Morton (Tom Cruise) e Chris Vail (Jake Johnson), saqueadores de artefatos antigos que estavam na região em busca de raridades. Ao lado da pesquisadora Jenny Halsey (Annabelle Wallis), eles investigam a tumba recém-descoberta e, acidentalmente, despertam Ahmanet. Ela logo elege Nick como seu escolhido e, a partir de então, busca a adaga de Set para que possa invocá-lo no corpo do saqueador.



A Múmia é, de novo, uma refilmagem de um grande clássico de 1932. Nós pudemos conferir uma tentativa de releitura do original estreado por Brendan Fraser em 1999.

Tanto nessa versão de 2017, quanto no sucesso de 1999, ambas as refilmagens se prenderam mais em aventura, ação e grandes efeitos visuais do que propriamente no que o clássico de 1932 se referia, ao horror e suspense, dando um ar de que os estúdios não acreditam mais no "terror de raiz", aquele estilo que gerou tantos sucessos por décadas. O que mais incomoda, talvez, seja que nas refilmagens insistem em colocar humor, principalmente no filme de 1999, cenas cômicas realmente fora de hora que chegaram a atrapalhar muito. Afinal, qual a graça de uma criatura milenar e cheia de poderes querer te matar?

Esse filme de 2017 acerta em cheio no que parece que foi seu propósito, os efeitos especiais, que são impressionantes e enchem os olhos. Por falar em olhos, outro grande destaque é o olhar penetrante de Sofia Boutella, apesar de sua atuação não ter sido assim digna de oscar, ela se destaca entre as atrizes e atores, pois nos hipnotiza de verdade com seus olhares e expressões. Por falar em atuação, o grande astro, o grande carro-chefe do filme, Tom Cruise, que sempre nos impressiona por não ser mais assim um garoto, faz suas próprias cenas na maioria sem dublê e atua sempre de forma convincente, desta vez não deu certo como um personagem canastrão e piadista, totalmente fora de sua zona de conforto. Russell Crowe já aparece aqui como aquele sujeito que se preocupou apenas em encher a carteira com o projeto e também voltar a aparecer na mídia, sem muita expressão.

Se a atuação não é um dos pontos fortes do filme, o roteiro então é uma bagunça. Não precisa nem tentar adivinhar que passou em várias mãos até chegar no final. A trama segue confusa, principalmente entre o primeiro e segundo ato, ficando tudo perdido. O roteiro foca mais na maldição e nas transformações de Tom Cruise do que no que poderia ser o que mais esperamos, que seriam personagens fortes, uma trama bem amarrada e esquecer esse bom humor para que o clássico terror volte a dominar as telas.

Fica descarada a intenção da Universal de querer dominar o mercado dos filmes de grandes monstros, mas erra feio permitindo que tais projetos tenham os roteiros tão fracos, tramas mal elaboradas e comédia envolvida em histórias que deveriam ser na verdade "corra do monstro, fuja". Erro maior do diretor , que chega aqui em seu primeiro projeto de grande projeção e não teve, ao que tudo indica, liberdade para se desprender do que os produtores ordenam.

Com todos os problemas do filme, dá para dizer que A Múmia seguiu a receita de projetos feitos para tentar premiações em quesitos técnicos, com efeitos especiais de nos fazer ficar de boca aberta e nos perguntarmos em como tudo aquilo é possível. No mais, é apenas um daqueles filmes que assistimos, nos divertimos e depois de 15 minutos esquecemos.

TRAILER DO SITE:

Daniel Fontebasso
(Crítico e Diretor de Curtas)

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