sábado, 24 de junho de 2017

Ao Cair da Noite - Crítica



Sinopse: Paul (Joel Edgerton) mora com sua esposa e o filho numa casa solitária e misteriosa, mas segura, até que chega uma família desesperada procurando refúgio. Aos poucos a paranóia e desconfiança vão aumentando e Paul vai fazer de tudo para proteger sua família contra algo que vem aterrorizando todos.




Tema sempre adorado de Hollywood, o tema pós-apocalíptico rende grandes porcarias, mas também, muitas vezes, grandes filmes como Mad Max ou O Exterminador do Futuro.

Ao Cair da Noite acompanha uma família que vive em uma casa no meio da floresta. Em momento algum nos é dito o que aconteceu de fato com o mundo, algo que os próprios personagens não sabem dizer. Essa reclusão, contudo, é rompida quando Will (Christopher Abbott) tenta invadir esse lar no meio da mata, acreditando, supostamente, estar abandonado. A família de Paul precisa, então, abrigar a de Will, temendo que esses estejam mentindo ou que algum deles esteja infectado com aquilo que devastara o mundo à sua volta.

O filme está longe se ser ruim, mas carece de alguns pontos importantes, está certo que a proposta do filme é não ter muitas explicações, mas em certos momentos causa desconforto de quem assiste por sentirem que não prestaram atenção em determinado momento e assim ficaram sem entender tudo. Não que um filme não tenha o direito de deixar nossas mentes trabalharem para que nós mesmos interpretemos algum significado, mas o problema é que o filme não apresenta tais "receitas", fazendo com que fique realmente sem alguma solução ou interpretação.

Ao Cair da Noite foca essencialmente no psicológico dos personagens. Ofereceu um elenco pouco conhecido aqui no Brasil, mas competente, e um diretor que parece que se concentrou e conseguiu o que buscava. Resumindo, é um filme que é muito bom, traz de volta elementos do terror que haviam sido esquecidos para trabalhar no psicológico, e se não fosse a intenção de fazer o filme tão interpretativo, seria sim um filme de terror e suspense para brigar entre os melhores dos atuais do gênero. Porém, não foge da velha receita de trazer uma visão extremamente pessimista do futuro próximo.

TRAILER DO SITE:
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-237947/trailer-19555001/
Daniel Fontebasso
(Crítico e Diretor de Curtas)

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sábado, 10 de junho de 2017

A Múmia (2017) - Crítica


Sinopse: Na Mesopotâmia, séculos atrás, Ahmanet (Sofia Boutella) tem seus planos interrompidos justamente quando está prestes a invocar Set, o deus da morte, de forma que juntos possam governar o mundo.  Mumificada, ela é aprisionada dentro de uma tumba. Nos dias atuais, o local é descoberto por acidente por Nick Morton (Tom Cruise) e Chris Vail (Jake Johnson), saqueadores de artefatos antigos que estavam na região em busca de raridades. Ao lado da pesquisadora Jenny Halsey (Annabelle Wallis), eles investigam a tumba recém-descoberta e, acidentalmente, despertam Ahmanet. Ela logo elege Nick como seu escolhido e, a partir de então, busca a adaga de Set para que possa invocá-lo no corpo do saqueador.



A Múmia é, de novo, uma refilmagem de um grande clássico de 1932. Nós pudemos conferir uma tentativa de releitura do original estreado por Brendan Fraser em 1999.

Tanto nessa versão de 2017, quanto no sucesso de 1999, ambas as refilmagens se prenderam mais em aventura, ação e grandes efeitos visuais do que propriamente no que o clássico de 1932 se referia, ao horror e suspense, dando um ar de que os estúdios não acreditam mais no "terror de raiz", aquele estilo que gerou tantos sucessos por décadas. O que mais incomoda, talvez, seja que nas refilmagens insistem em colocar humor, principalmente no filme de 1999, cenas cômicas realmente fora de hora que chegaram a atrapalhar muito. Afinal, qual a graça de uma criatura milenar e cheia de poderes querer te matar?

Esse filme de 2017 acerta em cheio no que parece que foi seu propósito, os efeitos especiais, que são impressionantes e enchem os olhos. Por falar em olhos, outro grande destaque é o olhar penetrante de Sofia Boutella, apesar de sua atuação não ter sido assim digna de oscar, ela se destaca entre as atrizes e atores, pois nos hipnotiza de verdade com seus olhares e expressões. Por falar em atuação, o grande astro, o grande carro-chefe do filme, Tom Cruise, que sempre nos impressiona por não ser mais assim um garoto, faz suas próprias cenas na maioria sem dublê e atua sempre de forma convincente, desta vez não deu certo como um personagem canastrão e piadista, totalmente fora de sua zona de conforto. Russell Crowe já aparece aqui como aquele sujeito que se preocupou apenas em encher a carteira com o projeto e também voltar a aparecer na mídia, sem muita expressão.

Se a atuação não é um dos pontos fortes do filme, o roteiro então é uma bagunça. Não precisa nem tentar adivinhar que passou em várias mãos até chegar no final. A trama segue confusa, principalmente entre o primeiro e segundo ato, ficando tudo perdido. O roteiro foca mais na maldição e nas transformações de Tom Cruise do que no que poderia ser o que mais esperamos, que seriam personagens fortes, uma trama bem amarrada e esquecer esse bom humor para que o clássico terror volte a dominar as telas.

Fica descarada a intenção da Universal de querer dominar o mercado dos filmes de grandes monstros, mas erra feio permitindo que tais projetos tenham os roteiros tão fracos, tramas mal elaboradas e comédia envolvida em histórias que deveriam ser na verdade "corra do monstro, fuja". Erro maior do diretor , que chega aqui em seu primeiro projeto de grande projeção e não teve, ao que tudo indica, liberdade para se desprender do que os produtores ordenam.

Com todos os problemas do filme, dá para dizer que A Múmia seguiu a receita de projetos feitos para tentar premiações em quesitos técnicos, com efeitos especiais de nos fazer ficar de boca aberta e nos perguntarmos em como tudo aquilo é possível. No mais, é apenas um daqueles filmes que assistimos, nos divertimos e depois de 15 minutos esquecemos.

TRAILER DO SITE:

Daniel Fontebasso
(Crítico e Diretor de Curtas)

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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Crítica de Mulher-Maravilha


Sinopse: Treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível, Diana Prince (Gal Gadot) nunca saiu da paradisíaca ilha em que é reconhecida como princesa das Amazonas. Quando o piloto Steve Trevor (Chris Pine) se acidenta e cai numa praia do local, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que pode parar o conflito. Lutando para acabar com todas as lutas, Diana percebe o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra.



Muitos estão dizendo que é o "filme que salvou o universo DC", considerando um filme com suas dosagens de história, humor e ação como a mais equilibrada das investidas da produtora até então. Mas até que ponto isso é verdade?

O filme já recebia severas críticas desde o seu anúncio, injustos, pois quem estava criticando tomou como base o filme Batman Vs Superman: A Origem da Justiça (clique aqui para ler a crítica), um filme não tão ruim como falam, mas que causou controvérsias no gosto popular desde o trailer que já revelou tudo e mais um pouco. Naquele filme, a Mulher-Maravilha fez uma participação superficial.

Já é perceptível as mudanças na direção, não que o trabalho de Zach Znyder seja ruim, dirigiu dentro da DC, Batman Vs Superman: A Origem da Justiça e O Homem de Aço (clique aqui para ler a crítica ou então assista a crítica em vídeo de todos os filmes do Superman CLICANDO AQUI) e vai ter vários outros filmes dos heróis em seu currículo. O diretor também tem um teor revolucionário em desenvolver seus projetos visualmente e em efeitos especiais, onde talvez seja ai seu maior problema, é tanta preocupação no visual, que o roteiro fica para trás.

A ideia de colocar a história passando durante a Primeira Guerra Mundial, foi um dos pontos mais geniais do projeto, colocando um visual de cinema antigo, sem deixar de lado o universo fantástico que a personagem é inserida, permitindo doses de ação e humor, apesar dos horrores que uma guerra é em um ambiente real. Mesmo assim nunca devemos esquecer que Mulher-Maravilha escolhe um lado para lutar e em uma guerra tão horrível, que lado é o correto?

A direção de Mulher-Maravilha ficou na responsabilidade de Patty Jenkins, diretora com uma carreira ainda curta, onde seu único longa metragem anterior foi Monster: Desejo Assassino, filme que rendeu o oscar para Charlize Theron. Colocar a diretora na responsabilidade de dirigir um projeto arriscado foi um passo de fé, pois os projetos anteriores foram bastante criticados. Mas dessa vez deu certo, o filme da Mulher-Maravilha já se torna o que tem a melhor direção nessa nova fase dos heróis da DC.

O elenco também se tornou outro ponto positivo. Gal Gadot se torna mais do que um rosto bonito nas telonas e assume de vez uma personagem forte com sua atuação bem mais convincente que a aparição anterior, misteriosa e apagada no filme de Batman Vs Superman. A heroina toma conta da trama, sem deixar de ter beleza e charme. Chris Pine (o novo capitão Kirk de Star Trek), Connie Nielsen (muito talentosa em O Advogado do Diabo, assista a crítica CLICANDO AQUI) e Robin Wright (a namoradinha de Forrest Gump, clique aqui para ver crítica) fazem uma participação muito boa e justificam seu talento.

Talvez o único ponto negativo da trama seja no desenvolvimento dos vilões, muito superficial e não permitindo que Danny Huston, por exemplo, desenvolva muito bem seu personagem. Sabemos que apesar de Mulher-Maravilha ser o melhor projeto da DC até o momento, talvez a intenção era mais para ser uma investida do filme ser uma divulgação de Liga da Justiça, do que realmente um filme solo. Talvez os produtores não aguardavam o retorno tão positivo do público. Pior para eles, pois o filme poderia ser melhor ainda.

Acima de tudo, o filme coloca uma personagem forte e que podemos curtir a vontade, sem pensar em machismo ou feminismo, e que uma heroína pode ser sim a protagonista com sua própria origem. Ao contrário do que fizeram na "refilmagem" de Caça-Fantasmas (assista crítica, clique aqui), onde ali transformaram os personagens em mulheres unicamente para aproveitar o embalo do sucesso do filme da década de 1980 e que se você critica, é um machista de carteirinha.

Mulher-Maravilha demonstra que os filmes da DC tem folego, talvez a saída seja mesmo mudar um pouco a direção, colocando pessoas para comandar que se importam realmente com o que é o principal, a qualidade da trama acima de efeitos especiais. Talvez agora os produtores passam a se preocupar mais com a força de seus personagens do que apenas ter a intenção de produzir uma propaganda de duas horas, em média, de um projeto maior. Mulher-Maravilha deu seu recado e veio para ficar.

TRAILER DO SITE:

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-173720/trailer-19552693/

Daniel Fontebasso
(Crítico e Diretor de Curtas)

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