domingo, 18 de setembro de 2016

Motoqueiros Selvagens


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Bruxa de Blair

Sinopse: Um grupo de estudantes de Milwaukee, durante uma viagem para acampar em uma das florestas da região, decide penetrar ainda mais no coração das árvores do que o previsto e acaba descobrindo que a floresta esconde seres perigosos. 


Lançado em 1999, o original Bruxa de Blair veio para surpreender e inovar. Não foi de fato o primeiro filme da história no estilo "found footage", estilo que já era utilizado pelo cinema, mas não tão popularizado. Os produtores do original fizeram uma jogada sensacional, espalhando um boato na internet quando ela estava começando e as pessoas na época não tinham a malícia de saber o que podia ser uma mentira bem contada. O trabalho dos diretores foi sensacional, dando uma câmera para cada ator e se comunicavam com eles apenas através de bilhetes, para que eles passassem o máximo possível o sentimento de terem se perdido e estarem enfrentando aquela situação terrível. O resultado foi, com um orçamento mais do que modesto (algo em torno de 50.000 dólares) o filme foi um sucesso arrebatador, arrecadando quase 250.000.000 de dólares.

Empolgado com a ideia inovadora do original, fui conferir A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras (2000). O que conferi foi o oposto, uma imensa decepção em todos os quesitos. Nem mesmo assustar (algo que ao menos deveria funcionar, já que tudo era uma porcaria) o filme conseguiu, tudo muito fraco: direção, roteiro, atuação, efeitos, som...

O lançamento dessa nova investida, me assustou, já pensei que iria de vez enterrar até mesmo o original. Gravado secretamente, o filme foi lançado no dia 15/09/16 nos Estados Unidos. É muito perigoso refilmar algo inovador, correndo o risco do filme ser taxado de ruim antes mesmo de sua estreia.

Apesar de tudo, o novo Bruxa de Blair tem seus lados positivos, deu uma certa alterada no estilo do primeiro filme, onde a história não se trata de jovens perdidos na floresta, mas agora são de fato perseguidos. O que gostei muito no filme foi o fato de os personagens não terem apenas celulares que do nada param de funcionar, ali eles tem vários meios de comunicação, até mesmo, pasme, um drone.

Apesar de todo acesso a tecnologia, os personagens insistem em entrar sozinhos na floresta, está ai o problema do filme. Sabemos de toda capacidade tecnológica dos personagens, então por que entrar na floresta sozinho?

A ideia do filme original para se utilizar do estilo "found footage" era a necessidade dos personagens utilizarem câmeras para vários fins. Nesta nova versão, personagens pegam câmeras para, por exemplo, salvar um amigo. Burrice se pensarmos que precisamos das duas mãos e todos os meios para salvar alguém em perigo, para que ocupar uma das mãos com uma filmadora?

Os atores foram bem, direção bem feita e roteiro que, para mim, foi fraco, com desculpas muito ruins para os personagens ficarem sozinhos na floresta. Acho que hoje em dia, um roteirista precisa pensar melhor em como bolar situações para seus personagens, seja qual estilo o filme faça parte.

Trailer do site:




 
Daniel Fontebasso
(Crítico e diretor de curtas)

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O Homem nas Trevas

Sinopse: Três adolescentes sempre escaparam de seus roubos, todos perfeitamente planejados. No entanto, quando realizam seu último crime, assaltando a casa de um senhor cego, o jogo muda. Encarcerados no local, eles precisam lutar por suas vidas contra um psicopata cheio de segredos e terrivelmente habilidoso



Aguardado por um trailer eletrizante, o público consegue ter uma boa experiência dentro da proposta do diretor Fede Alvarez. Testemunhamos a grande aflição dos três jovens criminosos que tentaram roubar um senhor cego e precisaram enfrentar as grandes habilidades dele.

Fede Alvarez, diretor uruguaio, se lançou mesmo no mercado com a refilmagem (que eu desaprovo com toda firmeza) de A Morte do Demônio. Aquela refilmagem acabou com o tom humor-terror do grande clássico Evil Dead, pior, sem a presença do icônico personagem Ash, vivido por Bruce Campbell.

Vindo mais um filme de Fede Alvarez, pensei que seria mais um simples filme de terror com som desnecessariamente alto e aqueles "sustos" do vilão que aparece repentinamente, e mesmo que o filme tenha esses momentos que já são clichês, estão muito bem executados.

Minha real e maior admiração está na atuação de Stephen Lang (o homem cego), que usou lentes de contatos que realmente atrapalharam sua visão e isso, talvez, colaborou com um papel fantástico. Sempre imaginei o ator sendo escalado apenas para papéis do "cara experiente e fortão", como fez em Avatar, na refilmagem de Conan ou na série Terra Nova. Seu papel de um senhor de idade e cego realmente surpreende.

Claustrofóbico, O Homem das Trevas é ambientado em um tom escuro, óbvio pelo fato do grande vilão ser cego. Se nos colocarmos na situação dos três ladrões, a tensão é extrema e mexe demais com nossa imaginação.

Acho que o roteiro teve uma grande sacada, ao colocar elementos que nos fazem perguntar em quem é o vilão do filme. Fica difícil pensar que os ladrões são os heróis, foram eles que invadiram a casa de um cego para rouba-lo, ao mesmo tempo é difícil pensar que o homem cego é o vilão, afinal está defendendo sua casa.

Em certo momento do filme, por uma fragilidade de ideia do diretor/roteirista, é colocado um elemento no filme que nos faz torcer mesmo pelos três ladrões e ver o homem cego como o real vilão, achei isso um clichê enorme e muito desnecessário. Realmente que o filme teria que se tratar de ladrões invadindo a casa de um senhor que eles julgavam frágil e agora precisam se desdobrar para saírem vivos.

Filme bom, mostra para o que veio, alguns clichês poderiam ter sido evitados, mas gosto da ideia de Fede Alvarez aparecer como um diretor de bons filmes de terror. Mais uma vez afirmo, Stephen Lang foi sensacional.

Trailer do site:

 
 
 
Daniel Fontebasso
(Crítico e diretor de curtas)