segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Pets - A Vida Secreta dos Bichos

Sinopse: Max é um cachorro que mora em um apartamento de Manhattan. Quando sua querida dona traz para casa um novo cão chamado Duke, Max não gosta nada, já que seus privilégios parecem ter acabado. Mas logo eles vão ter que pôr as divergências de lado quando um incidente coloca os dois na mira da carrocinha. Enquanto tentam fugir, os animais da vizinhança se reúnem para o resgate e uma gangue de bichos que moram nos esgotos se mete no caminho da dupla.

Elenco: Louis C.K., Eric Stonestreet, Kevin Hart, Lake Bell, Albert Brooks, Ellie Kemper, Bobby Moynihan, Hannibal Buress. Direção: Yarrow Cheney, Chris Renaud.

Ao ler a sinopse do filme Pets, não consigo evitar de pensar em outro filme. Vou dar o exemplo e vocês vão acompanhar meu raciocínio. Era uma vez um personagem que é o centro da trama e das atenções e também era adorado por seu dono, tudo estava bem até a chegada de outro personagem que irá dividir a casa e também as atenções do dono, causando assim brigas e motivos de inveja. Mas uma situação inesperada fará com que esses dois personagens unam forças para conseguirem voltar ao seu dono. O primeiro longa da Pixar veio na mente de alguém?

Lembro também da grande sacada dos produtores da Pixar sobre os personagens de Toy Story se fazerem de objetos inanimados assim que um "humano" entra no ambiente. Pets também usa uma sacada similar ao nos mostrar o comportamento dos animais quando seus donos não estão.

Vou acusar Pets de plágio? Claro que não. O cinema é recheado de clichês. Confira em filmes de romance ou ação, onde sempre saberemos que a mocinha fica com o mocinho no final depois de o mocinho ter que correr até o aeroporto ou estação de trem para no último segundo do filme dizer "eu te amo". Ou então sabemos que apesar do herói ter que lutar feito um coitado com todos os extras do filme e o vilão o aguardar ele fumando charuto, os dois vão terminar o filme em uma luta épica.

Pets não é uma imitação, é apenas mais uma produção vítima de um roteiro fácil de engolir, fácil digestão para "não arriscar" e assim conseguir muita bilheteria. Triste ao ver que o filme prometia tanto em seu trailer, arrancando risadas da plateia ao ver o comportamento de nossos bichinhos quando não estamos em casa.

Pets é um filme ruim? De forma alguma. Talvez para os adultos que aguardavam mais do filme, fique um pouco entediante, as crianças sim vão adorar. O que nos traz um filme bom, fácil, engraçado e com momentos "fofos". 

Quem quer que acuse Pets de ser um plágio de Toy Story, então acuse também Gnomeu e Julieta (2011) da mesma forma.

Nota 10 para os dubladores brasileiros, muito bom mesmo.

Trailer do site:



Daniel Fontebasso
(Crítico e diretor de curtas)


 

sábado, 13 de agosto de 2016

Um Espião e Meio


Sinopse: Antes de se tornar agente da CIA, Bob (Dwayne Johnson) era um nerd que sofria bullying. Agora adulto, forte e espião ele recorre a um antigo colega popular nos tempos da escola, Calvin (Kevin Hart), hoje contador, para resolver um caso ultrassecreto. 

Elenco: Dwayne Johnson, Kevin Hart, Amy Ryan, Danielle Nicolet, Jason Bateman, Aaron Paul, Ryan Hansen, Tim Griffin. Diretor: Rawson Marshall Thurber.

Mais uma vez insisto a tal "criatividade" de nossos profissionais que adaptam o título dos filmes americanos para o português, Central Intelligence aqui ganha o título Um Espião e Meio, tudo a ver, claro. Mas não é de título que vivemos.

O filme começa com o ideal de todo moleque que não teve os melhores dias na escola, Bob não tinha nenhum atrativo, era desajeitado e sofria bullying, para depois se tornar o nosso The Rock, uma muralha de músculos que certamente os opressores da escola tremeriam de medo, que neste filme é um respeitado agente da CIA. Curiosamente ele precisa da ajuda de um contador, Calvin, para resolver um caso, que era o oposto dele na escola, bem popular e engraçadinho.

Uma pena, que apesar do filme ser de comédia, o tema bullying não foi mais aprofundado, existem outros momentos que o tema retorna, mas com outros personagens. Apesar de momentos cômicos, eu gostaria de ver mais profundamente como o personagem Bob superou essa fase terrível de perseguição na escola para se tornar um agente da CIA. O que é muito utilizado no filme, como acho que foi a intenção inicial, é a diferença monstruosa de porte físico dos atores.

O filme consegue tirar bons momentos de cenas de perseguição e vários momentos consegue fazer o público rir. Existem outros temas além do Bullying, como Bob ser culpado pela CIA da morte de um antigo parceiro e também outros crimes menores. Não é mentira que, apesar de ser comédia, o filme consegue chamar a atenção por estes temas mais pesados.

Sobre direção, produção e atores, nada de tantas novidades. Confesso que gosto quando Dwayne Johnson arrisca na comédia, mas infelizmente Kevin Hart acaba fazendo mais um tipo de humor específico para o público americano, e mesmo assim, um público mais fechado dos americanos, não é uma crítica ao seu talento, mas existem alguns momentos que o ator passa na tela que perguntamos "era para rir"? Mas é bom ver também Jason Bateman, Aaron Paul (o eterno Jesse de Breaking Bad). O elenco feminino é composto principalmente por Amy Ryan e Danielle Nicolet, ambas estão bem no filme. Para o diretor, está na média.

Pode não ser o filme que merece ser lembrado após sairmos da sala de cinema, mas é divertido e, apesar de ser uma comédia, curiosamente é interessante pelos fatores mais "sérios" da trama. Um roteiro bacana e cenas de ação muito bem feitas.

 Trailer do site:



Daniel Fontebasso
(Crítico e diretor de curtas)