domingo, 10 de setembro de 2017

Crítica de It - A Coisa


Sinopse: Um grupo de sete adolescentes de Derry, uma cidade no Maine, formam o auto-intitulado "Losers Club" - o clube dos perdedores. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do "Losers Club" acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.



Apesar de críticas negativas, 'It: a Coisa' arrecadou impressionantes US$ 51 milhões só nos Estados Unidos na estreia, nessa sexta. O longa já ocupa o primeiro lugar em arrecadações no gênero de terror.

O filme é baseado no livro de mesmo nome do grande Stephen King e acaba sendo refilmagem de um longa lançado em 1990, com Tim Curry no papel de Pennywise (o temido palhaço assassino do filme que é agora interpretado por Bill Skarsgård).

Esse filme de 2017 foge bem do teor que foi em 1990. A 27 anos atrás, vimos um Penniwise extremamente assustador, devo até citar uma das cenas mais apavorantes da época que foi a do bueiro. A entrega no papel foi tanta, que podemos chegar a dizer que o personagem foi o mais marcante na longa carreira de Tim Curry. Essa versão de 2017, tem cenas também muito assustadoras, mas também cenas cômicas que em vários momentos aparecem "do nada", tornando o longa mais uma aventura do que um terror clássico. O filme acerta em cheio na questão do elenco infantil, que embora traga uma leveza, também não deixa de usar temas pesados como abusos, depressão, etc...

A clássica "cena do bueiro" do longa de 1990

O longa consegue, com a ajuda do ótimo elenco, criar empatia com o público, mesmo que seja clara a dificuldade da vida de cada personagem. Traz ainda um final satisfatório, mesmo depois do segundo ato que pode parecer, para alguns, um pouco maçante. A direção de Andy Muschietti foi acertada em cheio ao mostrar as monstruosidades de Pennywise, sem qualquer preocupação com censura e sem polpar em mostrar brutalidade, mesmo que o ataque seja contra crianças. Talvez houve um exagero em mostrar demais cenas geradas por computador, mas com o recurso disponível e hoje em dia mais barato, é claro que alguns diretores não vão polpar usar tecnologia.

Em resumo, It - A Coisa (2017) não irá emplacar como um grande clássico de terror, mas não é por culpa de roteiro ou má execução. É um bom filme que explora muito bem o fato de usar os personagens para carregar o andamento do longa, exemplo claro do que é o mais importante de tudo, antes dos efeitos especiais e explosões, vem um bom roteiro e personagens bem construídos.

TRAILER DO SITE ADORO CINEMA
Daniel Fontebasso
(Crítico e Diretor de Curtas)

Acesse e se inscreva no melhor e mais divertido canal de cinema do Brasil: FONTECINEMA 




segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Sinopse: Século XXVIII. Valérian (Dane DeHaan) é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline (Cara Delevingne), por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos. Quando chegam no planeta Alpha, eles precisarão acabar com uma operação comandada por grandes forças que deseja destruir os sonhos e as vidas dos dezessete milhões de habitantes do planeta.



Luc Besson é um cara sem medo de idealizar projetos arriscados, com filmes repleto de efeitos especiais e/ou personagens fortes. Um exemplo de que o diretor sabe trabalhar, foi quando fez O Quinto Elemento, que é um filme espetacular quando se trata de efeitos especiais, mas por conta da agenda lotada de Bruce Willis na época, precisou usar a equipe em um outro projeto "tapa buraco", senão jogaria dinheiro fora, fazendo vir a tona, nada mais e nada menos do que O Profissional, estrelado por Jean Reno, Natalie Portman e Gary Oldman (para mim, um filme bem melhor que O Quinto Elemento).

Quer assistir muitas curiosidades e crítica de O Profissional? CLIQUE AQUI
Cada segundo de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, mostram que Luc Besson adora o projeto. O filme é baseado em uma série em HQ que o diretor disse ser fã desde quando não tinha nada além de quadrinhos para se distrair uma vez por semana. Porém o filme vai decepcionar um pouco quem espera ver o filme sendo realmente uma adaptação da HQ, pois Luc Besson insere muitas de suas próprias referências, mais do que uma adaptação direta da fonte.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas não está livre de críticas, o filme é bem longo e acaba se tornando maçante, com um romance bem padrão e piegas entre os protagonistas, piadas fora de hora sem nenhuma graça e principalmente a necessidade de explicar um pouco de tudo, cansando o público, como por exemplo usar um flashback bem longo para nos "ajudar" a desvendar quem é o vílão, sendo que sua cara já está estampada no cartaz.

O filme faz uma tentativa forte de se emplacar entre os gigantes do gênero, como Star Wars, porém seu ritmo e alguns outros quesitos nos fazem pensar na necessidade de sequencias. Perde feio em todos os quesitos. Pasme, Star Wars bebeu da fonte da HQ de Valerian para ser idealizado.

Nem tudo em Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é motivo de críticas, como de praxe, o talento do diretor pode ser conferido já na cena de abertura, impecável, com uma maravilhosa viagem no tempo que nos mostra como a paz universal foi instaurada, utilizando a simplicidade de um gesto sendo repetido ao som do icônico David Bowie. Algumas cenas parecem ter saído de um sonho diretamente para a tela do cinema. A história trata de temas atuais, de decisões difíceis e corrupção. As cenas de ação existem e até divertem, mas não são o foco do longa

O elenco é bom, mas infelizmente a construção dos personagens ficou fraca, deixando o protagonista apagado.

Em resumo, o filme vale o ingresso, não deixa de ser uma bela experiência, principalmente porque sempre os filmes de Luc Besson vão belíssimos visualmente e possuem características únicas. Embora Valerian e a Cidade dos Mil Planetas não seja seu melhor trabalho, é outro que perdeu feio para O Profissional.

TRAILER DO SITE ADORO CINEMA.
Daniel Fontebasso
(Crítico e Diretor de Curtas)

Acesse e se inscreva no melhor e mais divertido canal de cinema do Brasil: FONTECINEMA 




segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Crítica de Planeta dos Macacos - A Guerra


Sinopse: Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César (Andy Serkis) e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel (Woody Harrelson). Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito e outros são capturados, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.



Grandes efeitos especiais, computação gráfica, explosões, cenas perfeitas de lutas e cenários bem feitos. De que adianta tudo isso se o filme não possui bom roteiro? Um bom diretor? Ou um elenco competente?

Quando falamos de filmes como a nova trilogia de Planeta dos Macacos, ou King Kong (2005), é impossível não lembrar do grande ator que interpreta os primatas protagonistas dos dois sucessos, Andy Serkis, dando movimentos e realidade aos personagens de maneira tão impressionante que nos choca. É a partir dai que começamos a falar sobre a escolha de elenco competente. Woody Harrelson é outro que podemos sempre esperar por um bom papel, seja na comédia, ação ou drama. E Judy Greer ganhou seu espaço nos grandes filmes.

Os atuais Planeta dos Macacos se firmam como uma trilogia que nos força a refletir sobre nossa própria existência, e em determinados momentos dos filmes, começamos a nos perguntar se estamos torcendo para o lado certo nos conflitos. Sabendo que o grande clássico O Planeta dos Macacos (1968), estrelado por Charlton Heston, era um filme que torcíamos 100% pela espécie dos humanos e que os macacos eram os opressores. Aqui na nova trilogia existe uma nova discussão sobre quem são os intolerantes e violentos. Os filmes anteriores a esse Planeta dos Macacos - A Guerra, nos revelaram a importância da expressão "não mexa com quem está quieto".

Planeta dos Macacos - A Guerra é um ótimo filme, com um roteiro bem feito que reforça a discussão sobre seu personagem principal, César, buscando valores familiares, liderando para salvar sua espécie e principalmente vencer os conflitos frente aos humanos, mesmo não seja perfeito em tudo e seu oponente, o Coronel, não é um mero vilão que cruza seu caminho, sendo um personagem retratado como o "sonho americano", patriota que não mede esforços para separar de vez o contato entre as espécies. O filme possui referências mostradas sem nenhum pudor de filmes como Apocalipse NowA Ponte do Rio Kwai e Os Dez Mandamentos. A visão política do filme é perfeita, criticando o imperialismo e a forma de querer dominar através de violência.

O filme é um pouco menos frenético que seu anterior, Planeta dos Macacos - O Confronto (2014), mas não deixa de ter o conflito entre as espécies que já é esperado, até mesmo por seu título "A Guerra". A trilogia é na verdade a história da trajetória de César e tudo o que sofre por ser líder de sua espécie e liderança tem um preço. A câmera acompanha os personagens, sem que a vida se perca em meio a tiros e explosões. O ritmo é construído alternando tocaia e conflito, drama e humor, em uma composição que nunca perde a força.

Planeta dos Macacos - A Guerra fecha a trilogia sem decepcionar, o filme é melhor do que se espera e mesmo sendo um pouco mais melancólico do que seus anteriores, jamais deixa de ser um grande projeto, com reflexões inteligentes e cheio de ação com grandes efeitos especiais. Vale seu ingresso.

TRAILER DO SITE:
Daniel Fontebasso
(Crítico e Diretor de Curtas)

Acesse e se inscreva no melhor e mais divertido canal de cinema do Brasil: FONTECINEMA